domingo, 6 de dezembro de 2009

Monteiro Lobato e a ortografia




“As palavras, como  tudo mais, também têm de  mudar.”
(Monteiro Lobato)

Em  1934, Monteiro  Lobato publicou a   obra infantil Emília no  País da  Gramática, na  qual  explicava  a   gramática da língua portuguesa aos seus  pequenos  leitores.   O  autor  transformava, então, a  monotonia dos  estudos  linguísticos  em   um belo  passeio guiado  por Emília  e  o  rinoceronte Quindim.  Lobato apresentava às crianças  uma  discussão começada em 1931 -  a  necessidade de  modernizar  a  ortografia  da língua  portuguesa - e trazia para  o  texto literário  infantil as alterações propostas por   um documento  assinado por  Brasil  e Portugal.


No capítulo XXVI (“Emília ataca o  reduto  etimológico”), Lobato defendia  de  modo  contundente a  ortografia simplificada, que  tomara o lugar do  sistema  etimológico (usado desde  o século XVI e que se  propunha  a  imitar as escritas grega e  latina).

-  Senhor  Sabbado,  venha  cá. […] Diga-me: por que é que traz  no   lombo  dois  BB quando   poderia passar   muito bem com   um  só?
[…]
- É  por  causa da bruxa  velha  Como venho do  latim   sabbatum, que, por  sua vez, veio do hebraico  Sabbat, ela  não consente  que eu  me  alivie deste inútil. Há  séculos  que trago  no  lombo  semelhante  parasita, que   nenhum  serviço  me  presta. […] O meu sonho  é  ver-me livre  deste  trambolho.
Emília  arrancou-lhe  o B inútil e disse:
_ Pois    fique com um B só. […]  Estou  aqui  representando  os   interesses das crianças, que constituem  o    futuro da  humanidade  _  e as  crianças preferem   sábados  com  um   B só.  Vá  passear e nunca  mais  me  ponha  o  segundo  B!

Em 1990,  o mais recente  acordo   foi assinado, o que   provocou uma  nova série de debates sobre  a unificação  ortográfica entre  os países da   comunidade lusófona. No  Brasil, muito se  discutiu a abolição do  trema que, na  nossa  língua,  indicava a  pronúncia nas sílabas gue, gui, que e qui em palavras  como tranquilo, cinquenta, aguentar.  Cunha e  Cintra, na  Nova Gramática  do Português Contemporâneo, ressaltavam  que  o trema  era  um  sinal  presente apenas  na “ortografia em vigor no  Brasil”, o mesmo  que   falara Monteiro Lobato quase  meio  século antes:

Depois da tremenda revolução  ortográfica da Emília, o Brasil  ficou envergonhado de estar mais atrasado que uma bonequinha e resolveu aceitar  suas  idéias. E  o Governo  e as  academias de  letras realizaram a  reforma  ortográfica. Não  saiu  boa  coisa, mas serviu. Infelizmente  cometeram um grande  deslize: resolveram  adotar uma  porção de  acentos  injustificáveis. […] E apareceu até um  tal  trema (¨) que é  implicantíssimo. A pobre  palavra “frequencia” que  toda a  vida foi  escrita sem  acento nenhum, passou a escrever-se assim: “freqüência”.

Setenta e cinco anos  após a  primeira edição de Emília no País da Gramática, discutimos novamente a ortografia  da língua portuguesa e nos preparamos para  usar as novas regras que deverão ser  definitivamente incorporadas no final de 2012; até  lá continuamos com duas ortografias.

Fontes:
CUNHA, Celso; CINTRA,  Lindley.   Nova Gramática  do Português  Contemporâneo.   São  Paulo: Nova  Fronteira,  2000.

LOBATO, Monteiro.  Emília no País  da  Gramática. São Paulo:  Brasiliense, 2004.

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sábado, 5 de dezembro de 2009

A expressão “de maior” - Dúvida do leitor

 

 

Por gentileza, querida professora, está incorreto eu escrever assim: Você é DE MAIOR e responde pelos seus próprios atos.” 

I.C.

I.C., a  expressão "de  maior"  é  um  coloquialismo da   nossa  língua, portanto   não é aceito pela   norma.  A maneira  mais adequada  é  dizer  “Você  é  maior de  idade".

 

Tem  dúvidas em  língua portuguesa?  Saiba  como enviar  sua pergunta , clicando  AQUI.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aprenda a enviar perguntas para o blog

 

 

A  coluna  “Qual  é a  sua  dúvida?”  foi  criada  em 17 de  novembro de    2008, apenas um mês após a criação do blog, e  o  objetivo era  responder perguntas  enviadas pelos leitores. Da criação  até hoje publiquei  algumas  vezes  as orientações  para o  envio das perguntas, mas   noto  que nem   sempre quem as  envia   realmente lê o   blog. Hoje publico novamente  algumas  dicas  de como aproveitar  melhor a página.

 

1.  Antes de  enviar sua  pergunta, pesquise  no blog.

 

Como já  foi explicado  em  outro  post, “por  meio desta  ferramenta, é  possível pesquisar  qualquer assunto no  blog ou fora dele. Os  resultados da pesquisa remetem aos  textos publicados  no Conversa de Português, nos blogs  e   sites  que foram ‘linkados’ aqui. Isto significa  que  o  leitor terá à  disposição várias  fontes de pesquisa”. Para  exemplificar,  simulei  a  pesquisa a  partir  da  expressão  “acordo ortográfico”;  no centro  da tela, surgiu uma caixa de   links com  todos os  textos publicados   no  blog , que remetem àquela busca, além  da   sugestão de outros   sites. 

 

 Como enviar

 

Uma   outra maneira de pesquisar  no Conversa de  Português é verificando  a  lista de  marcadores; estes  funcionam  como etiquetas para  os textos publicados. Assim sendo, o leitor que  procura informações sobre a “diferença entre  têm e tem” encontra a resposta nos textos  referentes à acentuação gráfica; quem  deseja orientações  sobre  o  “uso de palavras  estrangeiras” encontra a explicação no marcador  “adequação  vocabular”.

 

2. Envie  suas  perguntas APENAS pelo formulário  de  contato.

 

O  formulário de comentário do   Blogger  não    tem  espaço para  inserção  de  e-mail e, através  da   página de  contato,  criada especialmente para  receber  as   perguntas,  eu   posso   proteger  os  dados  do  leitor que   envia o seu endereço eletrônico  para o blog.  Pelo mesmo  motivo, não  respondo  as perguntas enviadas através  do  mural de  recados.

 

3. Por que fornecer um endereço eletrônico?
Porque preciso  avisar  ao  leitor  de  que  sua  pergunta  já  foi  respondida.

 


4. Qual  é o prazo para que as  perguntas  sejam   respondidas?

As  perguntas   são  respondidas  por  ordem  de   chegada e  de acordo  com  o  meu tempo livre, uma  vez que trabalho e  não  posso  me  dedicar 24 horas  ao blog.  Espere  receber  o  aviso de  que  sua  pergunta  foi  respondida.

 

5. Quando   uma pergunta  não é  respondida?

Quando o leitor  envia  alguma  pergunta  que já  tenha  sido   feita,  ele  recebe, no  e-mail  fornecido, o  link do texto  publicado.  Também não  respondo  se  perceber que a  pergunta enviada não  continha  uma   dúvida, mas  parte de  um trabalho acadêmico.

As  perguntas  precisam  ser  elaboradas  de  forma clara. A melhor forma  é  enviar  a construção  que   provocou  a  dúvida.  Por   exemplo: Qual é  o correto: “pra  mim fazer” ou “pra  eu   fazer”?

 

 

Para  enviar  sua pergunta, clique  no envelope!

 

envelope

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domingo, 22 de novembro de 2009

Formação de palavras em slide

O slide abaixo é   um resumo da  aula  sobre  Processos de  formação  de  palavras, material  que  disponibilizo aos  leitores  do   blog. Os professores poderão enriquecê-lo, ofertando  aos alunos  textos  que  correspondam  aos  diversos tópicos  da  apresentação.



Infelizmente os assinantes dos  feeds não visualizarão  o  slide, mas  disponibilizo também  uma pasta zipada  que contém a apresentação em power  point  e  uma versão em pdf.  Clique AQUI para  fazer  o   download.



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